quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Elementos narrativos em A moça Tecelã

O conto é narrado em terceira pessoa simulando imparcialidade e apagando traços de subjetividade, ao criar o efeito de distanciamento, credibilidade e veracidade, pois é alguém de fora dos acontecimentos que está contando a história. Os verbos, predominantemente no pretérito imperfeito, dão às ações uma sensação de inacabamento e duratividade. Na categoria espacial é um lugar distante (alhures), característica própria dos contos de fadas. Algumas figuras discursivas reforçam e recriam esse universo mítico no texto, como palácio, jardins, carruagens, cavalos, pátios, escadas, torres, criados. O interlocutor do diálogo – o homem, que deixa de ser o objeto e passa a ser o destinador – fala na primeira pessoa (com travessão) para a moça tecelã, criando um efeito de aproximação emocional e gerando relações/estados afetivos. Nesse processo enunciativo, o tempo verbal passa a ser o pretérito perfeito, simulando algo acabado, pontual e dinâmico. Apenas o espaço é mantido durante toda a narrativa, pois se trata de um espaço “lá” ou “não-aqui”.

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