Espaço de publicação de textos, ideias e conteúdos das aulas de Língua Portuguesa da profª Fátima e seus alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus-Arroio do Tigre-RS
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
A decepção da Moça Tecelã
Sabendo do seu extraordinário talento para tecer e, com esse dom, fazer coisas tão belas e úteis, trazendo alegrias e mudanças, ela passou a crer que poderia também tecer e trazer sua própria felicidade e completude. Essa crença em si mesma desencadeou uma nova paixão, o “capricho”.
Com e por capricho, ela tece o homem que vai entrar na sua vida. Os seus
bordados não só adquirem forma humana, como concretizam seu próprio desejo. Ela selecionou as lãs e as cores que dariam forma ao homem que desejava. Mas não poderia ser um marido qualquer. Ela escolheu o chapéu, o sapato engraxado, o rosto barbado, o corpo aprumado.
O homem, por ambição, passa a exigir que ela borde todos os desejos dele.
Suas vontades são cada vez mais exigentes, tomando todo o tempo da mulher, que somente borda os “caprichos” do companheiro. São ordens, exigências, prazos e autoritarismo.
Ele coloca a mulher e o tear na mais alta torre,fechando a porta com chave e mantendo-os isolados do mundo.
Com o tempo, a moça percebe que sua tristeza é maior que seu antigo desejo
caprichoso. Vê-se tomada de obrigações e sem tempo para fazer o que queria. Percebe que tudo em que acreditava não era verdadeiro, estava vivendo uma falsidade (não parecia, nem era verdade). Compreende que “tecer era tudo o que fazia” e que “tecer era tudo o que queria fazer”. Somente o ato de tecer a fazia feliz, esse era o companheirismo que queria ter de volta e que a completava, pois era no tecer que ela se sentia livre, autônoma, determinando suas próprias regras e suprindo suas necessidades.
Nesse percurso, observamos que há um aumento da tensão, pois a moça
começa confiando no homem que a fará feliz, mas com o tempo se decepciona, pois sabe que ele não a tornará um sujeito realizado. O pico da tensão se dá quando ela conclui que é melhor voltar a viver sozinha. “Ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros”. A bordadeira passa a ser um sujeito infeliz, pois sabe não poder ser feliz com aquele homem.
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