Espaço de publicação de textos, ideias e conteúdos das aulas de Língua Portuguesa da profª Fátima e seus alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus-Arroio do Tigre-RS
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Atividade 9
O que você já sabe.Poste as respostas nos comentários.
• O que é uma narrativa?
• Quais são as partes que compões um texto narrativo?
• Quais são as características de um conto?
• Você sabe o que é um mito?
ATIVIDADE 8
Produza um texto, respondendo às perguntas: as pessoas são obrigadas a ser do jeito que os outros gostariam que eles fossem? Isso é possível?Poste nos comentários.
Atividade 7
Se tivesse a habilidade e o poder da moça tecelã, o que você gostaria de tecer hoje? E que coisas no mundo você gostaria de destecer? Se você pudesse “tecer” sua vida, como ela seria? Poste nos comentários.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
A MOÇA TECELÃ e a relação com outros textos
Uma representação importante na obra aqui analisada é o ofício de tecer. No período medieval, as camponesas trabalhavam muito fiando a lã, tecendo, cuidando dos filhos e cultivando a terra. Por conseguinte, é possível perceber intertextos da literatura clássica n'A moça tecelã. Esses traços intertextuais resgatam, no verbal e no não-verbal, elementos da mitologia e dos contos de fada como a própria moça tecelã, palácio, escadarias, carruagens, jardins, torres, príncipe...
Os intertextos também se entrecruzam no tocante à relação de poder, ao desejo, à união homem/mulher, ao trabalho com o tear e ao dom da mulher que, ao fiar seu destino, consegue transformar a realidade à sua volta.
A moça tecelã é um conto riquíssimo que dialoga com as histórias tradicionais, mantendo uma intertextualidade implícita do tipo paródia.
Por ser uma história que carrega as marcas de um novo tempo, revela uma jovem capaz de recompor seus sentimentos, romper com a secular, tradicional e rotineira submissão e retornar à liberdade para viver seus sonhos de mulher.
O texto de Marina Colasanti remete o leitor ao papel da mulher medieval, que durante muito tempo ficou à sombra de um mundo dominado pelo homem. Na Idade Média os homens da Igreja acreditavam que a mulher era criatura débil e suscetível às tentações, e que só o esposo poderia detê-la. Por isso, através do matrimônio, a mulher ficava sob o controle do marido.
A autora imprimiu marcas desse período no seu conto, ao construir uma personagem que tinha poderes com o fiar e que foi aprisionada pelo marido, que controlou e limitou esses poderes, com a maior naturalidade.
Ainda no período medieval, a maternidade e o papel da boa esposa eram exaltados. No matrimônio, o marido tinha a função de dominar a mulher, educá-la e fazer com que tivesse uma vida pura, casta, ilibada.
Acreditava-se que só o trabalho doméstico, realizado em silêncio, poderia vencer os arroubos alimentados pela mulher.
Remete-nos o texto, também, à clausura feminina. Assim como a protagonista da história, a mulher medieval se submetia a uma separação do marido no interior da própria casa. O encontro entre o marido e a esposa tinha a função de fecundação.
Percebe-se que esse distanciamento, essa separação, principalmente de corpos, fica marcada no seguinte trecho:
"Mas se o homem tinha pensado em filhos,
logo os esqueceu."
Uma representação importante na obra aqui analisada é o ofício de tecer. No período medieval, as camponesas trabalhavam muito fiando a lã, tecendo, cuidando dos filhos e cultivando a terra.
Existe também na História da Literatura um considerável repertório de contos e mitos que retratam das mulheres que fiam e tecem.
Dentre elas, destacamos algumas que mantêm relações intertextuais com A moça tecelã, como a lenda de Aracne, as Parcas (ou Moiras - três irmãs fiandeiras), Rumpelstiltskin e o mito de Penélope.
A lenda da Aracne (pertencente à mitologia clássica) e A moça tecelã se entrelaçam em pontos importantes: ambas tratam do poder, do convencimento e do castigo. Eis um trecho dessa lenda:
"Há muito, muito tempo, vivia uma moça que era a maior tecelã do mundo. Os tecidos e tapeçarias que fazia eram tão deslumbrantes que todos se admirava e jurava que nunca tinha visto nada igual. Ela foi ficando muito convencida e começou a dizer que tecia melhor do que qualquer outra, até mesmo do que as deusas. Melhor até do que Minerva (justamente a deusa que lhe ensinara todos os segredos da arte de tecer).
Então a divindade resolveu lhe dar uma lição e a desafiou para um duelo de tecelagem.
Cada uma se sentou diante do tear e começaram o labor. Minerva fez um imenso tapete com histórias de pessoas que desafiavam os deuses e acabavam muito mal. Enquanto isso, Aracne ia tecendo seus fios e mostrando crimes que os deuses haviam cometido. E a tapeçaria da moça era tão bem feita que a deusa teve que reconhecer sua perfeição. Ela não podia matar a tecelã; mas bateu nela com seu bastão e a transformou numa aranha, condenada a tecer para sempre..." (MACHADO, 2006)
Assim se percebe que A moça tecelã, convencida do seu poder, tece o homem dos seus sonhos; porém, como Aracne, ela acaba castigada, tornando-se escrava da própria criação.
O jogo dialógico entre o conto colasantiano e a história das Parcas ocorre ao se definir e interferir no destino das pessoas. Assim como a moça tecelã sonhou, planejou, construiu e destruiu seu marido, as irmãs fiandeiras determinavam o destino humano, especialmente a duração de vida de uma pessoa. Elas eram responsáveis por fabricar, tecer e cortar o fio da vida.
A fiandeira Cloto segurava o fuso e puxava o fio; Láquesis o enrolava, registrando o filme da vida e a base da existência futura, e Átropos o cortava, indicando o evento morte.
Essas irmãs eram dotadas de força sobrenatural e ninguém conseguia manipulá-las. Conta-se porém que o deus Ares foi o único capaz de submeter as moiras à sua vontade.
Eis um trecho sobre essa lenda:
"Era uma vez três irmãs que passavam o tempo manipulando o fio da vida das pessoas. A primeira tinha um polegar enorme, porque era com ele que ela puxava o fio do chumaço de lã no fuso, e fazia as meadas, comandando os nascimentos. A segunda tinha um beição enorme, porque era nele que ela molhava o fio para enrolar os novelos, determinando os destinos. A terceira tinha os dentes afiados, porque era com eles que cortava a linha, marcando a hora da morte dos homens e mulheres..." (MACHADO, 2006)
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Atividade de estudo de texto
Atividade 5
Leia o classificado abaixo:
TEXTO BASE: A MOÇA TECELÃ – MARINA COLASANTI
Classificados
Moça solteira,solitária, sensível, sonhadora, naturista, prendada, procura rapaz para relacionamento amoroso e duradouro, que goste de crianças e tenha bons predicados (chapéu emplumado, corpo aprumado, rosto barbado e sapato engraxado).
Interessados, procura-la no jardim além do horizonte.
P.S.: Tem um tear mágico, onde todos os sonhos poderão ser realizados.
Leia essa notícia:
TECELÃ DESTECE MARIDO
Moça tecelã (22 anos), residente e domiciliada em casa humilde e aconchegante, com lindo jardim, toma atitude inusitada na vida conjugal: Depois de tanto se ver tratada como escrava pelo marido, forçando-a trabalhar dia e noite, privando-a de vida social e presa na mais alta torre do palácio que ela mesma teceu, decidiu destecer seu marido e, junto com ele, todos os sonhos. Na esperança de ser feliz de outra maneira.
CRIE UM CLASSIFICADO E UMA NOTÍCIA A PARTIR DO TEXTO A MOÇA TECELÃ.Poste nos comentários dessa postagem.
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Atividade A MOÇA TECELA,
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Atividade 4
A OBRA CLÁSSICA, ODISSÉIA, DE HOMERO, ESPECIFICAMENTE SOBRE PENÉLOPE
Atividade no laboratório de informática: pesquisar sobre a obra clássica, Odisseia, de Homero, especificamente sobre Penélope. Assim como a moça tecelã de Marina Colasanti, também Penélope tem o seu destino traçado nas tramas de um bordado. Ela espera mais de vinte anos por seu marido Ulisses que partiu para a guerra. Para não atender ao pedido de pai para casar-se novamente, ela impõe uma condição: só se casaria quando terminasse de tecer uma colcha. Então, durante o dia ela tecia e durante a noite ela desmanchava.POSTAR PESQUISA NOS COMENTARIOS.
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Comente- Atividade 6
"A NOSSA VIDA JÁ ESTÁ DETERMINADA OU PODEMOS TECER A NOSSA HISTÓRIA?"
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Marina Colassanti
Marina Colasanti é hoje, sem dúvidas, uma das maiores e mais importante escritora feminista da literatura brasileira escreve para adultos e crianças, porém de uma maneira direta e objetiva, escreve de acordo com o momento, com o mundo atual e seus valores, trata sempre do presente e de seus conflitos, porém resgatando fatores do passado e colocando sempre a mulher em primeiro plano em suas narrativas.
No caso desta escritora, o padrão reprisado e que é a sua “marca pessoal” passa inicialmente pela temática abordada. Nas ficções desta escritora, encontram-se todas as questões que afligem o ser humano: a busca da identidade, os encontros e desencontros amorosos, a solidão e a morte. Todas as falhas e fragilidades da nossa espécie, como a inveja, o egoísmo a ambição também comparecem na obra desta ficcionista. São temas que se manifestam, tanto nas narrativas infantis como nas adultas, pela repetição de imagens, personagens e situações de acentuado teor simbólico. (CECCANTINI, 2004, p.73-74).
A trajetória diversificada de Marina Colasanti possibilitou-lhe um olhar diferenciado sobre o ser humano, escreve com uma sensibilidade e precisão as questões complexas do comportamento, de maneira que seus leitores possam compreender.
Colasanti resgata temas do passado como mitos, conto de fadas e transporta para nossa atual sociedade mostrando que tudo isso ainda faz parte de nossas vidas, contudo escreve de uma forma inovadora, atual, é como se ela usufruísse do passado para relatar o real presente.
Unindo as narrativas mitológicas aos contos de fadas, intercambiando culturas....
Partindo de estruturas infantis onde o objetivo é o de preparar as crianças para a vida, com seus „contos de fadas para adultos‟, baseando-se nas estruturas infantis, relata sobre os anseios e questões contemporâneas, elencando o homem a essa modernidade onde ele se encontra presente.
O conflito da relação homem-mulher é um dos grandes desencontros do real valor do ser humano, sendo assim Colasanti mostra muito bem essa trajetória, de forma muito inovadora, e faz isso com muito potencial, pois é reconhecida nacionalmente e internacionalmente elencada ao time das maiores escritoras da segunda metade do século XX. Os perfis femininos trabalhados em suas obras buscam por uma idealização da felicidade, resgatando temas do passado e entrelaçando ao presente.
Marina Colasanti dá ênfase em suas narrativas ao papel exercido pela mulher, contudo não é aquela mulher que estamos acostumados a ver, sempre com um lindo final feliz, ela nos retrata o oposto das mulheres submissas, que aceitavam tudo o que era imposto pelo marido, mostra-nos as mulheres lutadoras, que prezam por sua vida e liberdade, fazem suas próprias escolhas.
As personagens da autora são transgressoras, por enfrentarem os desafios da vida e estarem sempre em busca da felicidade. Não aceitando aquilo que é imposto a elas, cortam os laços masculinos que a aprisionam. Colasanti tem contribuído muito com essa nova representação da mulher através de sua literatura, resgatando sempre o papel da mesma na sociedade, buscando provar que mulher não é diferente do homem, que temos os mesmos objetivos e buscamos os mesmos espaços
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Resumo do texto A MOÇA TECELA
Inicia com a personagem feminina sozinha, sentada em frente do tear, tecendo sua
manhã, numa situação de equilíbrio, com todas as necessidades físicas e existenciais
satisfeitas por ela própria, com a ajuda de um tear mágico. A moça até nesse momento era sujeito de sua vida, pensava que o pouco que possuía a fazia feliz. “Tecer era tudo o que fazia... tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha”. (Colassanti:1982, p.20). Através de seu tear mágico, tece então um homem para afastar a solidão de sua vida e alegrar os seus dias com filhos que porventura iriam ter. Mas a partir daí instala-se um desequilíbrio decorrente das exigências do marido, contradizendo os desejos da tecelã: ele obcecado pelo desejo de ter sempre mais, não contente com pouco, ela realizada no ser e no fazer. Em seu desejo de adquirir riqueza e descobrindo o poder mágico do tear, ela isola a esposa,obrigando-a a realizar os seus caprichos. Triste e frustrada, pois percebe que o seu desejo de companheirismo e amor não se concretiza, oprimida e vendo que nada do que havia
sonhado torna-se realidade, ela nota que teceu a solidão mais amarga – estava sozinha mesmo estando ao seu lado o marido almejado. “E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo” (Colassanti: 1982, p.22). A idéia do casamento como fórmula de felicidade se acaba e atinge seu ponto máximo no trecho “tecia e entristecia” (Colassanti: 1982, p.22) quando o ato de tecer, agora ligado às vontades exclusas do esposo deixa de apresentar para ela um sentido de satisfação existencial. O retorno ao equilíbrio acontece e a moça percebe que o marido pode ser eliminado de sua vida. Decidida, retorna ao papel de sujeito: desfaz o tecido. No final, outra vez sozinha, a moça tece para si uma nova manhã.
Pensando...
No conto, realidade e ficção não têm limites. Não importa ver se há verdade ou
falsidade nas palavras que estão dentro dele, o que permanece é a arte de inventar um modo
de representar algo. Alguns textos têm essa intenção de registrar com mais fidelidade à
vivência do ser humano ou ainda fantasiá-la como vemos no texto de Marina Colasanti “A
Moça Tecelã”, em que a autora se utilizou de palavras permitindo que o texto tomasse forma literária, estruturando-o de maneira que o leitor mergulhasse na leitura e se imaginasse dentro da história.
Observando a personagem do conto “A Moça Tecelã” inserimos no contexto a figura da
mulher e a sua busca, por meio do trabalho afastar os dias de solidão e dar um novo colorido asua existência.
No conto, a fantasia desmistifica o real, em vez de camuflá-lo. O imaginário é uma ferramenta convincente. Em sua riqueza e abertura há várias leituras, o conto dá ênfase entre algumas questões abordadas, à importância de se repensar o conceito de
um relacionamento conjugal, bem como o relacionamento da personagem consigo mesma.
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Intertextualidade
Neste momento, o bordado está pousado em cima do console e o interrompi para escrever, substituindo a tessitura dos pontos pela das palavras, o que me parece um exercício bem mais difícil. Os pontos que vou fazendo exigem de mim uma habilidade e um adestramento que já não tenho. Esforço-me e vou conseguindo vencer minhas deficiências. As palavras, porém, são mais difíceis de adestrar e vêm carregadas de uma vida que se foi desenrolando dentro e fora de mim, todos esses anos. São teimosas, ambíguas e ferem. Minha luta com elas é uma luta extenuante.
Assim, nesse momento, enceto duas lutas: com as linhas e com as palavras, mas tenho a certeza que, desta vez, estou querendo chegar a um resultado semelhante e descobrir ao fim do bordado e ao fim desse texto algo de delicado, recôndito e imperceptível sobre o meu próprio destino e sobre o destino dos seres que me rodeiam. Ontem, quando entrei no armarinho para escolher as linhas, vi-me cercada de pessoas com quem não convivia há muito tempo, ou convivia muito pouco, de cuja existência tinha esquecido. Mulheres de meia-idade que compravam lãs para bordar tapeçarias, selecionando animadamente e com grande competência os novelos, comparando as cores com os riscos trazidos, contando os pontos na etamine, medindo o tamanho do bastidor. Incorporei-me a elas e comecei a escolher, com grande acuidade, as tonalidades das minhas meadas de linha mercerizada. Pareciam pequenas abelhas alegres (...) levando a sério as suas tarefas (...) Naquelas mulheres havia alguma coisa preservada, sua capacidade de bordar dava-lhes uma dignidade e um aval. Não queria que me discriminassem, conversei com elas de igual para igual, mostrando-lhes os pontos que minha pequena mão infantil executara. (JARDIM, Rachel. O penhor chinês. 4a ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990)
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Tempo em A MOÇA TECELÃ
Harmonia com o tempo
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das
beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela
ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da
manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em
longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça
colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais
felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um
fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a
chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e
espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios
dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os
grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os
seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado
de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser
comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o
tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia
tranqüila. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria
fazer.
Mas, tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu
sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido
ao lado.
O texto inicia com uma conjunção entre a moça tecelã e o tempo, bem como
tudo que está relacionado a ele: as estações (chuva, calor), as unidades de tempo (dia, noite), a
temperatura (quente, frio), a cronologia (hora a hora, primeira vez). Ela está em conjunção com todos esses elementos figurativizados no discurso, que relacionam seus sentimentos e seu saber (o tecer).
Os verbos acionam ações vinculadas ao tempo, como acordava, chegando, ia
passando, (nunca) acabava, passava, dormia, e mantendo a coerência do texto. A moça age sempre em harmonia com o tempo, embora interfira nele com gentileza quando, por exemplo, desenha a chuva para refrescar as pétalas que sofrem com o forte calor. E sabendo que após o frio (outono/inverno) deve vir o calor (primavera/verão), ela traz/borda o sol. A interferência é
feita pelo seu dom, o tecer. Ela tece a natureza, a vida, a beleza, a arte, pois são seus tapetes mágicos que ganham formas e geram vidas. Há uma duração definida pelo tempo e pelo seu trabalho manual.
trabalhar), prudente (esperava a própria natureza se manifestar), humilde (
O destinador do sujeito moça tecelã era o tempo, ou a natureza, que a
manipulava através dos ciclos sazonais. Ela aceitava esse contrato, pois lhe “parecia confiável”. Mas, por um sentimento de falta, ou até mesmo por questões da moralidade que o grupo social determina, ela rompe o contrato para fazer o seu próprio tempo, preenchido com um marido e os possíveis filhos.
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Atividade de estudo de texto
Elementos narrativos em A moça Tecelã
O conto é narrado em terceira pessoa simulando imparcialidade e apagando traços de subjetividade, ao criar o efeito de distanciamento, credibilidade e veracidade, pois é alguém de fora dos acontecimentos que está contando a
história. Os verbos, predominantemente no pretérito imperfeito, dão às ações uma sensação de inacabamento e duratividade.
Na categoria espacial é um lugar distante (alhures), característica própria dos contos de fadas. Algumas figuras discursivas reforçam e recriam esse universo mítico no texto, como palácio, jardins, carruagens, cavalos, pátios, escadas, torres, criados.
O interlocutor do diálogo – o homem, que deixa de ser o objeto e passa a ser o destinador – fala na primeira pessoa (com travessão) para a moça tecelã, criando um efeito de aproximação emocional e gerando relações/estados afetivos. Nesse processo enunciativo, o tempo verbal passa a ser o pretérito perfeito, simulando algo acabado, pontual e dinâmico. Apenas o espaço
é mantido durante toda a narrativa, pois se trata de um espaço “lá” ou
“não-aqui”.
A decepção da Moça Tecelã
Sabendo do seu extraordinário talento para tecer e, com esse dom, fazer coisas tão belas e úteis, trazendo alegrias e mudanças, ela passou a crer que poderia também tecer e trazer sua própria felicidade e completude. Essa crença em si mesma desencadeou uma nova paixão, o “capricho”.
Com e por capricho, ela tece o homem que vai entrar na sua vida. Os seus
bordados não só adquirem forma humana, como concretizam seu próprio desejo. Ela selecionou as lãs e as cores que dariam forma ao homem que desejava. Mas não poderia ser um marido qualquer. Ela escolheu o chapéu, o sapato engraxado, o rosto barbado, o corpo aprumado.
O homem, por ambição, passa a exigir que ela borde todos os desejos dele.
Suas vontades são cada vez mais exigentes, tomando todo o tempo da mulher, que somente borda os “caprichos” do companheiro. São ordens, exigências, prazos e autoritarismo.
Ele coloca a mulher e o tear na mais alta torre,fechando a porta com chave e mantendo-os isolados do mundo.
Com o tempo, a moça percebe que sua tristeza é maior que seu antigo desejo
caprichoso. Vê-se tomada de obrigações e sem tempo para fazer o que queria. Percebe que tudo em que acreditava não era verdadeiro, estava vivendo uma falsidade (não parecia, nem era verdade). Compreende que “tecer era tudo o que fazia” e que “tecer era tudo o que queria fazer”. Somente o ato de tecer a fazia feliz, esse era o companheirismo que queria ter de volta e que a completava, pois era no tecer que ela se sentia livre, autônoma, determinando suas próprias regras e suprindo suas necessidades.
Nesse percurso, observamos que há um aumento da tensão, pois a moça
começa confiando no homem que a fará feliz, mas com o tempo se decepciona, pois sabe que ele não a tornará um sujeito realizado. O pico da tensão se dá quando ela conclui que é melhor voltar a viver sozinha. “Ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros”. A bordadeira passa a ser um sujeito infeliz, pois sabe não poder ser feliz com aquele homem.
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Tecer e mudar...A moça tecelã
Diferente do que recomendaria a convenção, a moça tecelã, idealizada por Marina Colasanti não teceu para sempre. Ela reviu crenças, valores, expectativas e, “pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo”. A moça tecelã, levantou da cama enquanto o marido dormia, sentou-se no tear e desfez o tecido.
Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
Enfim, sem que o marido tivesse tempo de detê-la, a moça tecelã, desteceu o marido e recomeçou o seu tecer com a linha clara do sol que “a manhã repetiu na linha do horizonte”. A moça tecelã desteceu as convenções. As mulheres de nosso século, a cada dia que passa, participam mais do caçar, do desbravar do prover e os homens do cozinhar, do acolher, do limpar, do embolar no sofá. Mas até que ponto desconstróem e reconstróem atentos para com a pressão do mercado, para com o status quo, para com as convenções; até que ponto as pessoas de nosso tempo desfazem o tecido com a segurança da moça tecelã?
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Mais MOÇA TECELÃ
Em A moça tecelã, Colasanti apresenta uma protagonista que inicialmente tece a convenção, o socialmente adequado, para posteriormente viver a pertinência da revisão e da reconstrução.
No livro A moça tecelã, escrito por Marina Colasanti e ilustrado através de bordados sobre desenhos de Demóstenes Vargas, a protagonista da trama, tece a manhã, tece a tarde, tece a noite, tece sua vida, seus sonhos e desejos, mas sobretudo, tem a possibilidade de desmanchar seu bordado quando ele se apresenta diferente de seu sonho. A moça tecelã vive a pertinência da revisão, do recomeço e da reconstrução.
Mas o que tece efetivamente a moça tecelã? Ela tece o hábito, a convenção; aquilo que gerações e mais gerações foram se acostumando a considerar o padrão. Ela tece o status quo.
Acordando um pouco antes do amanhecer, ela logo se senta em seu tear e, com linha clara, desenha o horizonte para começar o dia. Para sol forte, ela escolhe lãs mais vivas; para a penumbra seguida da chuva, opta por lãs cinzentas. Seus bordados acompanham o dia, inicialmente, em perfeita harmonia.
Da reprodução da realidade à construção de uma realidade particular, o percurso da protagonista se deu logo na primeira página do livro. Assim, quando o vento e o frio passam muitos dias brigando com as folhas e com os pássaros, logo a moça resolve tecer o sol com seus fios dourados, para restabelecer a calma na natureza.
Em certa passagem do texto, Colasanti esclarece:
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete.
Com o desenrolar da narrativa, o tecer foi se transformando em um ofício solitário e, conseqüentemente, a construção de uma realidade particular foi ganhando espaço nos bordados da moça. Sozinha sentiu-se mal, inadequada, talvez distante do que a convenção enfatiza, pois, em um mundo padronizado, meninas brincam, moças casam, mulheres têm filhos. Logo, a moça tecelã optou por fazer parte, por se inserir em um contexto que privilegia o igual em detrimento das diferenças e, então, teceu um marido.
Mal terminou seu bordado, assim como o vento e o frio cederam ao sol que
extrapolou o bordado, assim como o peixe extrapolou o bordado quando a moça sentiu fome, o marido bateu a porta e, durante algum tempo, fez a felicidade da moça.
Contudo, mais uma vez atendendo ao que gerações e gerações nos passaram como convenção, a moça imaginava tecer filhos, enquanto o marido, sabendo do poder do tear, imaginava ascender financeiramente. Ela queria ser. Ele queria ter.
De início, ele exigiu uma casa melhor, depois um palácio, estrebarias, cavalos,
cofres, moedas. Tudo, ordenando o uso das mais belas lãs, tudo determinando que a mulher habitasse a mais alta torre do palácio e tecesse sem cessar. Enfim,aparentemente, no desenrolar da narrativa o ter vencia o ser. O marido exigia, amulher fazia e nós leitores recuperávamos em nossas memórias de leituras a história de gerações e mais gerações que viam as suas convenções estabelecidas, reforçadas e não analisadas.
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ALGUMAS IDÉIAS DO TEXTO A MOÇA TECELÃ
ALGUMAS IDÉIAS DO TEXTO
- A mulher reconhece no homem um ser superior que a pode conduzir e ensinar
- A ideia do casamento como fórmula de felicidade;
- Tece um homem para afastar a solidão de sua vida e alegrar os seus dias com filhos que porventura iriam ter;
Em busca de respostas à pergunta “quem sou eu”?
Diante da vida familiar e social, e, diante de si mesma a mulher sofre um processo de perda de identidade;
- Identidade feminina registrada através dos tempos - pela produção literária de cada época, principalmente no decurso do pensamento mágico dos contos de fadas;
- Retoma o equilíbrio quando manifesta o desejo de liberdade e independência, pois conscientemente incompleta e descontínua, possui a escolha de um “estar feliz”...
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Atividade 3
O que há em comum entre a música "Começar de novo" de Ivan Lins, com o texto "A moça tecelã" de Marina Colasanti.
Começar De Novo
Ivan Lins
Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Sem as tuas garras sempre tão seguras
Sem o teu fantasma, sem tua moldura
Sem tuas escoras, sem o teu domínio
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena já ter te esquecido
Começar de novo...
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Atividade A MOÇA TECELA,
Atividade de estudo de texto
A MOÇA TECELÃ E AS MULHERES DE HOJE
Patrícia Adriana Corrente
Colasanti retrata um diferente tipo de perfil feminino nesse conto, por recursos de uma fábula, a mulher independente, que constrói a cada dia seus sonhos, a mulher que se basta por si mesma, que consegue perceber a interferência negativa do homem em sua vida, e muda a situação a tempo, porém também retrata a mulher apaixonada “cega” de amores pelo seu homem, que faz seus gostos por amor, por acreditar em seus sonhos, para tê-lo ao seu lado.
A moça, no conto, é delicada, sensível, criativa, simples, não tem ganância, vive feliz em sua vida, dependendo afetivamente e socialmente só de si mesma. Ao fazer seu tempo e seu espaço, a moça traz, constrói, a necessidade de companhia, de um homem para crescer ao seu lado; ela trouxe alguém para a sua vida, um companheiro, talvez porque, a sociedade a impôs isso, a presença de um homem na vida de uma mulher, ela achou que realmente precisasse.
O homem, ambicioso, ganancioso, dominador e autoritário, entrou na vida da moça, com todos os seus desejos, não os mesmos da moça, mas, desejos materiais, não os de felicidade, mas de enriquecimento supérfluo. A moça moldou um homem para si, da maneira que viesse, usufruindo de suas qualidades e virtudes para seu bem próprio, sua satisfação pessoal. A moça, por algum tempo, submeteu-se aos caprichos do marido, fez para agradar, mas já não tinha vida, vivia para ele, perdeu sua identidade, sua autenticidade, simplicidade.
Percebeu, então, que o homem em nada havia acrescentado em sua vida, mas pelo contrario, deteve sua liberdade em se expressar, seus sonhos ele não valorizou, suas vontades ele fez como se não tivesse ouvido. A moça teve a autonomia de tomar sua vida para si, “desfez”o homem de sua vida, se impôs e voltou a sua antiga vida, onde era realmente feliz e realizada, sem a necessidade de um homem.
O homem, não a desejava, mas sim, tudo o que ela podia lhe proporcionar, lhe oferecer com seu mágico poder de tecer a vida, ele não admitiu a moça ter esse poder, não lhe cabe, o homem sentiu-se ameaçado, enclausurou-a, mas não se deu conta que ela ainda tinha consciência do que acontecia e de sua insatisfação.
A Moça tecelã é a representação da mulher autônoma, que vai à busca de seus objetivos, é o retrato da mulher que não se cala, não se acomoda e nem se submete à possível “autoridade” masculina.
Particularmente, o conto de Marina Colasanti me fez refletir sobre o amor em contraponto com a liberdade, ou seja, até que ponto um sentimento vale a liberdade,ou, o que é o amor para um é é prisão para o outro. Esse conto levanta dezenas de questões do universo feminino, dos sentimentos; do trabalho escravo, da submissão de um ser em relação a outro por prazer ou por comodidade; dos valores que cada ser tem ou não.
As grandes dualidades presentes neste conto são: liberdade/amor; valores materiais/afetividade; autonomia/submissão, tendo em vista essas dualidades citadas, verifico que a obra esta mais presente do que nunca em nossa vida cotidiana, o ser humano é um ser de contradições, é um ser suscetível a erros e a corrupção, claro que em uma abrangência maior. Não se adapta tão somente ao homem o poder de ser corrompido, mas também à mulher, porém se verifica no conto uma mulher meiga, de sentimentos puros e fraternos, de muitos sonhos e esperanças.
A situação de servidão da mulher perante ao homem, também é um fator marcante na obra, pode levar a questões sociais tão presentes no mundo de hoje, quanto antigamente, o trabalho escravo desempenhado por crianças, homens e mulheres em nosso país, e em regiões desprevilegiadas socilamente. A condição de submissão é imposta e não oferecida pelo corrupto, mas nesse conto prefiro levantar a situação de submissão de uma mulher que se carateriza por dona-de casa, a mulher que é obrigada a servir seu marido, obrigada a viver em um mundo que só é completo para ele. No desfecho do conto ocorre uma situação atípica, pois na maioria das vezes, em nossa realidade, a mulheres não conseguem se desvencilhar das amarras de um homem autoritário, vivem subjugadas aos seus caprichos, talvez por uma imposição social patriarcal ou pelo receio do novo, de uma vida independente.
Com relação, novamente, aos personagens a Moça e o Homem, verificou-se que não possuem nomes, isso nos leva a pensar que se caracterizam por tipos, representações de nossa sociedade, daí a proximidade do conto com a realidade, sucessivamente a proximidade do leitor com a obra., são seres que vivem dentro de uma fábula, poderia até dizer um conto-de fadas às avessas, mas que fazem parte da realidade de nossas vidas, Colasanti se valeu de uma fábula para representar o sentimento de muitas pessoas, as dores e talvez até o sofrimento de algumas mulheres.
O espaço e o tempo são marcantes na obra, pois eles se determinam conforme a vontade da moça, por intermédio do tear, se ela quer comer ela tece, se quer sol, ela tece, com quis uma companhia ela teceu, mas nesse momento ocorre uma ruptura, pois a partir do momento em que teceu seu homem, perdeu a vontade de tecer, pois tecia apenas os gostos de seu homem e para ele. O tear que antes era seu companheiro tornou-se instrumento do homem, para seu uso, mas com a habilidade da moça. No decorrer das leituras, verifiquei algo interessante, o espaço em que a moça é colocada pelo homem, “o mais alto quarto da mais alta torre”, se assemelha com um espaço muito conhecido e estigmatizado como feminino, a cozinha, espaço este que por muitos tempos era "único em que a mulher se sentia segura, e talvez por imposição era o espaço que mais frequentava". Assim como a moça do conto que fora submetida ao quarto no alto, longe de todos, para que ninguém soubesse do seu “poder" do tear, muitas mulheres são enclausuradas dentro de espaços ou dentro de si mesmas, por outras pessoas, afim de que não sejam descobertas por outros olhares. Colasanti consegue representar muito bem isso no conto.
Enfim, a moça tecelã está presente nas mães, filhas, empresárias, donas-de-casa e esposas de todos os dias, e não é por obra do acaso que a mulher continua sendo um ser misterioso e intrigante, presente sempre no mundo literário.
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Refletindo sobre A MOÇA TECELÃ
Um texto não se baseia só em instrumentos linguísticos. Nele também subjaz uma ideologia. Para descobri-la, será preciso investigar os elementos que o estruturam, a maneira como se estruturam e perceber suas relações com o contexto. Assim, podemos depreender a ideologia subjacente no conto A moça tecelã (*), de Marina Colasanti, se procedermos a uma análise de elementos significativos desse texto e os cotejarmos com os dados de que dispomos sobre a escritora, principalmente sua militância na defesa da afirmação social e existencial da mulher.
O conto, destinado ao público infantojuvenil, não é neutro nem inocente. Metaforiza situações existenciais. Em lugar de conduzir a uma acomodação, instiga. Inverte e reverte elementos da história de fadas tradicional, reescrevendo-a em perspectiva e linguagem atuais. Nele, a fantasia desmitifica o real, em vez de camuflá-lo. O imaginário é recurso persuasivo. Em sua riqueza e abertura a várias leituras, o conto ressalta, entre várias questões abordadas, a necessidade de se repensarem os conceitos de relacionamento conjugal e de relacionamento da pessoa consigo mesma.
Principia com a protagonista sozinha, tecendo sua manhã, numa situação de equilíbrio, com todas as necessidades físicas e existenciais satisfeitas por ela própria, com o auxílio de um tear mágico. A moça é sujeito de sua vida: "Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo que queria fazer". Adiante, "... tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha". Tece, então, um companheiro para fazer-lhe companhia e enriquecer sua vida com filhos. Mas instaura-se um desequilíbrio decorrente das desmedidas exigências do marido, em tudo oposto à tecelã: ele obcecado pelo ter e pelo mandar; ela realizada no ser e no fazer. Em sua ambição, descoberto o poder do tear, o homem isola do mundo a esposa, tornando-a objeto de realização de seus caprichos. Frustrada em seu desejo de companheirismo e amor, oprimida, anulada, ela percebe que teceu a solidão mais cruel - a de sentir-se só, estando acompanhada: "E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo".
A desmitificação da ideia de casamento como fórmula de felicidade atinge seu clímax no trecho "Tecia e entristecia", quando o ato de tecer, agora condicionado ao desejo exclusivo do esposo, deixa de apresentar para ela um sentido de satisfação existencial. O equilíbrio só se restaura por meio de um insight: a moça percebe o marido opressor como objeto que pode ser eliminado de sua vida. Determinada, retoma o papel de sujeito: "...começou a desfazer o tecido." No fim, outra vez sozinha, a moça tece para si uma nova manhã.
No conto, a palavra "sozinha" apresenta dois significados: o de estar em solidão (carência do outro, uma circunstância negativa) e o de estar desacompanhada (ausência do outro, mas não necessariamente uma circunstância negativa). O jovem leitor, confrontado com as duas possibilidades significativas dessa palavra, é levado a tecer suas próprias conclusões a respeito do que seja um "final feliz" na história... e na vida. Passa a questionar, portanto, o literária e socialmente consagrado mito do "... e, juntos, foram felizes para sempre".
Marina Colasanti, ela também uma "moça tecelã", tece seu texto habilmente, por meio de elementos lexicais, sintáticos e coesivos bem entrelaçados – ideologia e linguagem costurados de maneira indissolúvel.
(* ) COLASANTI, Marina. Doze reis e a moça no labirinto do vento. 2ª. edição. Rio de Janeiro, Editorial Nórdica, 1985.
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Lena Jesus Ponte
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Ideias sobre a MoçaTecelã
A toda-poderosa Mulher administra sabiamente o Mundo, manejando o seu tear. Mas, como um dos limites do poder é a solidão, cria (tece) ela um companheiro.
Não correspondendo este aos seus justos anseios, a jovem o descria, destecendo-o - restabelecendo assim, de forma natural, o equilíbrio das coisas.
As estações do ano se reajustam, as emoções se consolam, a justiça se faz: desapareceu, pelas suas mágicas e decididas mãos, o marido egoísta, insensível e cruel.
E tudo operado de uma maneira simples, breve, eficiente, objetiva, silenciosa: bastou descobrir-se iludida e ludibriada por um homem que só visava a lucros e bens materiais, e nunca a uma felicidade a dois, para manusear inversamente o tear, desfazendo castelo, criados, tesouros e o próprio esposo. E o cônjuge de voz apatifada e atitudes maléficas virou nada.
Note-se o seu senso de responsabilidade, de preservação cósmica: nenhuma atitude de raiva momentânea ou ódio continuado ou vingança generalizante: zeladora da Natureza, ela para no justo momento em que desteceu o marido, não desconstruindo nada além.
Guardiã consciente dos segredos da Vida, fá-los funcionar de novo: neve, luz, noite, aurora, plantas e seres, tudo ela rege, regiamente. Projeta-se aí, inteira, a teoria do eterno retorno.
Também nesse conto, o maravilhoso não pede licença nem alinha explicações: a garota já surge em profícua atividade; e, após o marido acidente-de-trabalho, pedra-ruim-no-caminho, prossegue tecendo - concedendo cores, vida e harmonia ao Universo.
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Atividade 1 para o 3º ano
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terça-feira, 18 de setembro de 2012
A viagem com prejuízos
Hoje cheguei em casa da escola e fui para o computador. Abri meu e-mail e havia uma mensagem de uma empresa chamada ‘’Groupon’’, cliquei no e-mail e dizia Las Vegas, Campos do Jordão, Cancun e Rivera Maya e mais 23 destinos. Fiquei muito interessada no preço para Las Vegas que era no valor de R$1699,00, já com 42% de desconto, então comprei.
Estava tudo pronto, eu já havia pago a viagem, resolvi sair nas enormes avenidas do Rio de Janeiro para comprar um calça nova para a viagem,entrei na loja escolhi, na hora de pagar não havia saldo no cartão, logo pensei aquele site (mensagem) estranha, era golpe na certa.
Corri para o banco e cancelei a conta, tudo ficou resolvido, agora aprendi que se deve tomar muito cuidado na internet.
Natalia Sachett
7° ano- 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
TECER E BORDAR....UMA ARTE....
O Mito do Fio ou da Tecelagem é metáfora usada frequentemente para falar sobre o fazer literário ou a arte de "tecer textos". Etmologicamente “tecer” vem do latim tecere, que significa justamente isso: tramar fios, textos, palavras, ideias.
Você sabe o que quer dizer a palavra texto?
Texto provém do latim textum, que significa tecido. É uma amostra de comportamento lingüístico que pode ser escrito ou falado, para demonstrar alguma coisa.
De acordo com o dicionário, é um conjunto de palavras de um autor que contém um certo significado, sendo este variável de acordo com a interpretação do receptor.
Estava perdida em meio a um monte de palavras e parágrafos e lembrei-me de uma bordadeira.
Eu fazia com meu texto, exatamente igual ao que ela faz com seus bordados.
Ambas fazemos trabalhos parecidos, que exigem muita dedicação e afinco. Assim como a bordadeira dá ponto por ponto em suas costuras, eu escrevo palavra por palavra em meus textos.
O objetivo é sempre o mesmo. Obter o melhor resultado possível daquilo que fizemos com tanto cuidado.
E se porventura, alguma coisa dá errado, ou não fica bom, ou até mesmo fica de um tamanho inadequado, lá estamos nós, desfazendo e refazendo o trabalho. Uma com o mesmo cuidado que a outra.
Tecer textos, ou tecidos, é um dom.
Saber desfazer, editar, refazer etc. envolve muito mais que técnica ou conhecimento. Isso tudo depende do amor que cada um possui pelo que faz.
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